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Hóquei em Patins

Quero viver este momento histórico

Redação
Quero viver este momento histórico

O selecionador português que conduziu a França ao título mundial de hóquei em patins quer aproveitar cada instante de uma conquista histórica. Depois de vencer a Taça CERS pelo Sporting, a Taça de Portugal pelo Tomar e uma Supertaça, Nuno Lopes alcançou o título mais importante da carreira. Agora, o futuro passa pelo clube nabantino.

Nuno Lopes continua a viver a conquista do Campeonato do Mundo de hóquei em patins ao comando da França. Horas depois da vitória frente à Argentina, o treinador português ainda não tinha dormido. E, para já, também não tinha vontade de o fazer.

«Não dormi, não quero dormir. Eu sei que vou cair entretanto, e vou cair mais à frente, mas não quero. Quero viver este momento todo, porque sei que vou ter saudades dele», confessou.

A emoção tem uma explicação. Ao longo da carreira, Nuno Lopes esteve associado a conquistas importantes, como a Taça CERS e a Supertaça ao serviço do Sporting, além da Taça de Portugal conquistada pelo Tomar. Mas este título mundial tem um significado diferente.

«Já vivi momentos destes. Trinta e um anos depois, o Sporting ganhou uma Taça CERS. O Tomar nunca tinha ganho um título e ganhou. A França nunca tinha ganho um título e ganhou. E estar associado à minha pessoa é motivo de orgulho», afirmou.

O treinador reconhece que gosta de desafios difíceis e recorda o ceticismo com que foi recebido quando chegou à estrutura federativa francesa, determinado a conquistar títulos.

«Muitas vezes, as pessoas não acreditam. Eu sei que não acreditavam quando cheguei a França e disse que vinha para ganhar títulos. Vi na cara das pessoas que olharam para mim e pensaram: “Mas quem é este tuga que vem agora aqui dizer que vai ganhar e só porque sim?”»

Nuno Lopes, porém, estava convicto de que o trabalho poderia produzir resultados. A mensagem transmitida aos jogadores foi clara: a França não tinha de se considerar inferior às grandes potências da modalidade.

«A França não tem de ser inferior aos outros. Tem de ser igual aos outros, tem de jogar olhos nos olhos, tem de jogar para ganhar e provar isso dentro do campo. Tem de trabalhar mais, correr mais e ter fome. E eles têm muita fome. Tinham muita fome de ganhar o título», sublinhou.

O selecionador não esquece, contudo, que a sorte também faz parte do desporto, sobretudo numa final decidida nas grandes penalidades.

«As coisas conjugaram-se, com um pouco de sorte também. Não vou dizer que não há sorte, porque também é preciso. A lotaria dos penáltis sorriu-nos a nós», reconheceu.

Mais responsabilidade depois do título

A conquista mundial representa também um novo desafio para o hóquei em patins francês. Nuno  Lopes considera que este sucesso deve servir de impulso para o desenvolvimento da modalidade, sobretudo ao nível da formação.

«Tem de haver uma maior responsabilidade. Nós tínhamos uma premissa, que era recuperar o estatuto de alta competição. Não sei se a federação o vai recuperar ou não, mas isso era muito importante para alavancar o hóquei», explicou.

Na perspetiva do treinador português, França precisa de reformular os quadros competitivos dos escalões jovens, proporcionando aos jogadores mais jogos e melhores condições de desenvolvimento, à semelhança do que acontece em Portugal e Espanha.

«A França precisa urgentemente de alterar os quadros competitivos das camadas jovens, para terem mais jogos, como acontece em Portugal e Espanha, e de apostar na formação de treinadores. É preciso ter mais gente a trabalhar, mais treinadores franceses e mais treinadores interessados nas camadas jovens», defendeu.

Nuno  Lopes aponta o investimento na formação de treinadores como um dos fatores que contribuíram para a evolução do hóquei português e considera que França terá de seguir um caminho semelhante, caso queira consolidar o sucesso agora alcançado.

Apesar de ser português, não esconde o orgulho no trabalho desenvolvido ao serviço da seleção francesa.

«Eu sou só mais um, mas sou um que vem com vontade de fazer. Tenho algum orgulho, sendo português, e não escondo a minha pátria, mas dá-me muito prazer estar a trabalhar com a seleção francesa», afirmou.

Um sonho de infância tornado realidade

Um dos momentos mais marcantes da conquista foi a entrega do troféu, uma imagem que trouxe à memória os sonhos de infância e as referências que acompanhou ao longo dos anos.

«Foi arrepiante, arrepiante. A gente anda para trás na infância e todos sonhamos com este momento», recordou.

O treinador admite que, em criança, imaginava alcançar este patamar ao serviço de Portugal. Mas, uma vez surgida a oportunidade de representar a França, o objetivo passou a ser o mesmo: chegar ao topo do mundo.

«O sonho de criança era, se calhar, com a seleção de Portugal, não com a seleção de França. Mas, uma vez que apareceu a questão da França, o que é que interessa aqui? É ser campeão do mundo», afirmou.

Para Nuno Lopes, esta conquista representa o culminar de um percurso de trabalho intenso, que exigiu dedicação total ao projeto francês.

«Chegar aqui como treinador acho que é o ponto alto disto tudo. O treinador é sempre um líder, alguém que pensou as coisas. Sei que há muito trabalho da estrutura, mas foram 30 dias em França de loucura mesmo. É hóquei de manhã à noite», contou.

Depois de conduzir a França a um título inédito e de inscrever o seu nome na história da modalidade, o treinador português já tem os olhos postos no próximo desafio.

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